Em 2026 a Ducati completa 100 anos. Ela começou fazendo peças de rádio em Bolonha, na Itália, e virou sinônimo de moto esportiva vermelha, de motor bicilíndrico em “L” e do ronco seco das válvulas desmodrômicas. Nos últimos anos, dominou a MotoGP. No Brasil, monta motos em Manaus desde 2012.
Rádios em Bolonha
Em 4 de julho de 1926, Antonio Cavalieri Ducati e os filhos Adriano, Bruno e Marcello fundaram em Bolonha a Società Scientifica Radio Brevetti Ducati, que fabricava componentes para rádios, como capacitores. A empresa cresceu rápido e construiu uma grande fábrica no bairro de Borgo Panigale, onde a Ducati está até hoje. Na Segunda Guerra, a fábrica foi bombardeada e praticamente destruída.
A reconstrução veio sobre duas rodas. Em 1946 a Ducati começou a produzir o Cucciolo (“cachorrinho”, em italiano), um motor auxiliar de 48 cc para bicicletas, perfeito para uma Itália pobre e sem combustível. Foram mais de 200 mil vendidos antes de a Ducati lançar, em 1950, a sua primeira moto completa, feita a partir dele.

Taglioni e o desmodrômico
Em 1954 chegou à fábrica o engenheiro Fabio Taglioni, a pessoa mais importante da história da marca. Ele adotou o sistema desmodrômico, em que as válvulas do motor são abertas e também fechadas por comandos mecânicos, sem depender só de molas. O sistema permite giros altos com mais segurança e virou a assinatura técnica da Ducati até hoje.
Taglioni também criou o motor de dois cilindros em “L”, a 90 graus. Em 1972, com ele, o inglês Paul Smart venceu as 200 Milhas de Ímola, uma das corridas mais importantes da época, com o companheiro Bruno Spaggiari em segundo. Foi o início da fama esportiva da marca.

Em 1978, o lendário Mike Hailwood, aos 38 anos e depois de mais de uma década longe do TT da Ilha de Man, voltou à prova e venceu com uma Ducati 900. A façanha virou moto de série: a Mike Hailwood Replica.

Monster, 916 e o Superbike
Nos anos 1980 a Ducati passou por dificuldades e, em 1985, foi comprada pela Cagiva. Foi nessa fase que vieram duas das motos mais importantes da sua história. Em 1993 o designer Miguel Galluzzi criou a Monster, uma naked simples e cheia de personalidade, que se tornou a Ducati mais vendida de todos os tempos, com mais de 300 mil unidades.

Em 1994 chegou a 916, desenhada por Massimo Tamburini, considerada uma das motos mais bonitas já feitas, com escapamentos sob o banco e balança monobraço. Com ela, o inglês Carl Fogarty foi campeão mundial de Superbike em 1994, 1995, 1998 e 1999, e a Ducati virou a marca a ser batida na categoria.

Novos donos e a era da MotoGP
A Ducati foi comprada em 1996 por um fundo americano e, em 2012, pela Audi, do grupo Volkswagen, que a controla até hoje por meio da Lamborghini. Naquele ano estreou a linha Panigale, batizada com o nome do bairro da fábrica. Em 2015 a marca relançou a Scrambler, nome de uma Ducati dos anos 1960, agora como a porta de entrada da marca.

Na MotoGP, onde estreou em 2003, a Ducati conquistou o primeiro título de pilotos com Casey Stoner, em 2007. Depois de anos de desenvolvimento, veio o domínio: Francesco Bagnaia foi campeão em 2022 e 2023, Jorge Martín em 2024, com a equipe satélite Pramac, e Marc Márquez em 2025, todos de Ducati. O motor V4 da Panigale V4, lançada em 2018, nasceu dessa experiência nas pistas.

A Ducati no Brasil
Por muitos anos a Ducati foi representada no Brasil pelo Grupo Izzo. Em 2012 a marca criou a sua própria empresa no país, a Ducati do Brasil, e contratou a brasileira Dafra para montar as motos em Manaus, no sistema CKD. A primeira foi a Diavel; em 2013 veio a Monster 796 e, em 2014, a Multistrada 1200. Depois a linha montada aqui cresceu até incluir a Panigale.
A marca passou de 10 mil motos produzidas no Brasil, e a fábrica de Manaus atende só o mercado brasileiro. Segundo a imprensa especializada, a parceria com a Dafra terminou em 2024, quando a Ducati passou a montar as motos numa unidade própria em Manaus. Em 2025, a fábrica brasileira montou uma série limitada de 100 unidades da Hypermotard 698 Mono RVE.
Linha do tempo
- 1926: fundação em Bolonha, fazendo componentes de rádio.
- 1946: Cucciolo, o motor para bicicleta.
- 1950: a primeira moto completa da Ducati.
- 1954: Fabio Taglioni chega à empresa.
- 1972: Paul Smart vence as 200 Milhas de Ímola.
- 1978: Mike Hailwood vence no TT da Ilha de Man.
- 1985: compra pela Cagiva.
- 1993: Monster. 1994: 916.
- 1994 a 1999: quatro títulos de Carl Fogarty no Superbike.
- 2007: Casey Stoner, o primeiro título na MotoGP.
- 2012: a Audi compra a Ducati. Começa a montagem no Brasil.
- 2015: volta da Scrambler.
- 2022 a 2025: títulos da MotoGP com Bagnaia, Martín e Márquez.
- 2026: 100 anos de Ducati.
Vídeos
Para o centenário, a Ducati preparou o filme A Century Made of Seconds. Este é o trailer oficial:
E Carl Fogarty relembra os 25 anos da 916, a moto dos seus títulos, no canal oficial da marca (com legendas em inglês):
Fontes
- Audi MediaCenter: história da Ducati
- Ducati Corse: história nas pistas
- Goodwood: 100 years of Ducati
- Motonline: Ducati anuncia subsidiária e produção no Brasil (2012)
- Motonline: a Multistrada, terceiro modelo montado no Brasil
- Motonline: as motos que a Dafra fez
- AutoData: Ducati apresenta moto nacional de produção limitada (2025)
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