História da Suzuki: dos teares à GSX-R e à Hayabusa

Antes das motos, a Suzuki fazia teares para a indústria da seda. Da região de Hamamatsu, no Japão, a mesma da Honda e da Yamaha, ela saiu para criar duas das motos mais famosas do planeta, a GSX-R e a Hayabusa, e ganhar títulos mundiais com Barry Sheene, Kevin Schwantz e Joan Mir. No Brasil, chegou em 1992 pelas mãos de um ex-campeão de motocross.

Dos teares às bicicletas motorizadas

Em 1909, Michio Suzuki abriu em Hamamatsu uma fábrica de teares, as máquinas de tecer usadas na produção de seda. O negócio cresceu por décadas, mas depois da Segunda Guerra o Japão precisava de transporte barato, e a Suzuki seguiu o mesmo caminho das vizinhas: colocar motor em bicicleta.

Em 1952 saiu a Power Free, um motor de 36 cc que se prendia a uma bicicleta comum. Em 1954 a empresa passou a se chamar Suzuki Motor e lançou a Colleda, de 90 cc e motor quatro tempos, a primeira moto completa da marca. Em 1955 veio também o primeiro carro, o Suzulight.

Bicicleta com motor auxiliar Suzuki Power Free exposta em museu
Power Free (1952): o motor de 36 cc que transformava bicicleta em moto. Foto: Rainmaker47 / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0, no museu Suzuki Plaza
Moto Suzuki Colleda preta dos anos 1950 em museu
Colleda (1954), a primeira moto completa da Suzuki. Foto: Rainmaker47 / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0, no museu Suzuki Plaza

Pequenas nas pistas, grandes nas ruas

A Suzuki foi ao TT da Ilha de Man com motos pequenas e, em 1962, o alemão Ernst Degner deu à marca a primeira vitória na corrida, na categoria 50 cc, e o título mundial da classe naquele ano. Nas ruas, a especialidade da Suzuki nos anos 1960 e 1970 eram os motores dois tempos.

O auge dessa fase foi a GT750, de 1971: três cilindros, dois tempos e arrefecimento a água, coisa rara numa moto de rua da época. O radiador grande na frente rendeu apelidos como “chaleira”.

Suzuki GT750 vermelha de 1971 em museu
GT750 (1971), três cilindros dois tempos com arrefecimento a água. Foto: Rainmaker47 / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0

Nas pistas, o inglês Barry Sheene, com a RG500 de quatro cilindros, deu à Suzuki os primeiros títulos mundiais das 500 cc, em 1976 e 1977. Sheene virou um dos pilotos mais populares de todos os tempos.

Suzuki RG500 de corrida número 7, branca, vermelha e amarela, em museu
A RG500 número 7 de Barry Sheene, campeão das 500 cc em 1976 e 1977. Foto: Rikita / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0

Katana, GSX-R e Hayabusa

Em 1981 a Suzuki surpreendeu com a GSX1100S Katana, de visual anguloso, que até hoje divide opiniões e ganhou uma versão moderna em 2019. Em 1985 veio a moto que mudou as esportivas: a GSX-R750, leve, com quadro de alumínio e cara de moto de corrida, a primeira de uma família que passou de um milhão de unidades.

Suzuki GSX1100S Katana prata em museu
GSX1100S Katana (1981), o desenho que marcou uma época. Foto: Rainmaker47 / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0
Suzuki GSX-R750 da primeira geração, azul e branca, em museu
GSX-R750 (1985), a superesportiva com cara de moto de corrida. Foto: Rainmaker47 / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0

Em 1999 chegou a GSX1300R Hayabusa, nome japonês do falcão-peregrino, a ave mais rápida do mundo. Com motor de 1.300 cc e aerodinâmica pensada para velocidade máxima, passava dos 300 km/h e foi uma das motos de série mais rápidas já fabricadas. Depois dela, as fábricas combinaram limitar a velocidade máxima das suas motos.

Suzuki Hayabusa branca e prata em exposição
Hayabusa, o "falcão-peregrino", uma das motos de série mais rápidas já feitas. Foto: Yuichiro Katsumoto / Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0

A Suzuki voltou a ser campeã mundial na categoria principal com Kevin Schwantz (1993), Kenny Roberts Jr. (2000) e Joan Mir, em 2020, já na MotoGP. Mesmo assim, deixou a MotoGP no fim de 2022 para concentrar esforços em outras áreas, como a eletrificação.

A Suzuki no Brasil

Algumas Suzuki já chegavam ao país por importadores independentes, mas a marca começou oficialmente em 1992, representada pelo Grupo J. Toledo, comandado pelo ex-campeão de motocross João Toledo. As primeiras foram importadas, como a GSX-R1100 e a GSX-R750.

Em 1994 começou a montagem em Manaus, com parte das peças importada (SKD), e a partir de 1997 a produção passou a ser feita com as motos completamente montadas aqui (CKD). Por aqui fizeram sucesso a Intruder 125, vendida de 2002 a 2016 e porta de entrada de muita gente na marca, a GS 500, a trail DR 800 S, a B-King e as lendárias Hayabusa e V-Strom.

Hoje o grupo, chamado JTZ, também representa no Brasil a chinesa Haojue (sócia da Suzuki na China), a Zontes e a Kymco. Em Manaus, a Suzuki concentra as motos maiores, e as outras marcas do grupo cuidam das de baixa cilindrada.

Linha do tempo

  • 1909: Michio Suzuki abre uma fábrica de teares em Hamamatsu.
  • 1952: Power Free, o motor para bicicleta.
  • 1954: nasce a Suzuki Motor e sai a Colleda, a primeira moto completa.
  • 1962: Ernst Degner vence o TT da Ilha de Man e o Mundial das 50 cc.
  • 1971: GT750, com arrefecimento a água.
  • 1976 e 1977: Barry Sheene campeão mundial das 500 cc.
  • 1981: GSX1100S Katana.
  • 1985: GSX-R750.
  • 1992: chegada oficial ao Brasil, com o Grupo J. Toledo.
  • 1993: Kevin Schwantz campeão mundial das 500 cc.
  • 1994: começa a montagem em Manaus.
  • 1999: Hayabusa.
  • 2000: Kenny Roberts Jr. campeão mundial das 500 cc.
  • 2020: Joan Mir campeão da MotoGP.
  • 2022: a Suzuki deixa a MotoGP.

Vídeo

A Suzuki contou os 30 anos da família GSX-R, que começou com a GSX-R750 de 1985, neste vídeo do seu canal oficial nos Estados Unidos:

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Fontes

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